segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Só chorar não basta

Hoje presenteei uma amiga com um livro cujo título era: “E o poeta chorou”, fiquei pensando por que o poeta havia chorado, como nos comportamos diante da vida, o que fazemos para mudar a realidade que nos envolve, enfim, fiquei fazendo aquelas filosofias de fim de tarde e resolvi escrever algumas linhas e compartilhar com vocês os meus devaneios vespertinos.

No poema que dá nome ao livro, o eu lírico chora diante das atitudes egoístas e injustas das pessoas, ele observa tudo, anota, pois em pretensão de fazer um poema de amor, se entristece cada vez que observa algum fato triste, injusto, desumano, pois não encontra “material” para a sua poesia. Chora, apenas chora indignado não pelo que observa, mas pela falta de material para o seu poema de amor. Que egoísta!

Esse poeta parece muito com todos nós. Quantas vezes não quisemos falar de amor, cantar à paz, a igualdade, a justiça, porém não as encontrando ficamos tristes e apenas choramos? Nada fazemos para mudar aquela realidade de ódio em uma de amor. O poeta poderia ter feito um poema falando de todas as injustiças que vivem. Mas isso seria perigoso e muito incômodo. Chorar não nos custa nada, a não ser algumas lágrimas e alguns lenços de papel e ainda nos faz parecer pessoas indignadas com o sofrimento do mundo e comovido com a dor das pessoas que nos cercam. Mas será que só chorar basta, será que essa comoção e indignação aparente e inativa servem para alguma coisa, além de gastar lenços de papel?

Diante da carência de material para compormos um poema de amor o que fazemos? Apenas choramos, ou pegamos todos os fatos cruéis e os denunciamos em forma de manifestos? Precisamos ser mais do que poetas chorões.

Diante da fala de poesia da vida, ou pelo menos da falta de inspiração para um poema de amor, não podemos ficar chorando pelos cantos como fez aquele poeta. Mas temos que pegar todas as nossas “armas” sejam elas quais forem e tornar a vida mais inspiradora, mais humana, menos injusta. E aí vão aceitar o desafio ou vão continuar chorando pelos cantos?

Marcos Moraes

Pra não dizer que não falei de Juventude

Pra não dizer que não falei de Juventude

Onde foram os jovens que enfrentaram canhões?
Onde foi a música que arrastou multidões?
Onde foi o sonho de o mundo mudar?
Será que todos eles pararam de sonhar?

Tinham tantos sonhos, muito brilho no olhar
Não tinham medo de a vida entregar
Em todas as partes estavam aos milhões
Era nas escolas, campos, construções...

Quem roubou o sonho e a esperança?
Quem matou a verdade de nossas crianças?
Quem usou a mídia para enganar?
Quem te contou que os jovens pararam de lutar?

Onde foram os jovens que pintaram a cara?
Onde estão aqueles que provaram o pau-de-arara?
Onde foi aquele grito forte de tanta dor?
Não podemos parar, gritem, por favor!

Falta muita luta, muita busca, muita dor
Ainda não estamos vivendo...
Ainda não estamos vivendo...
Ainda não estamos vivendo... Na civilização do amor

“A CORAGEM DE ASSUMIR”

Quem não morre assumindo, morre sumindo...”.

Estamos irremediavelmente jogados diante deste dilema: ou ASSUMIMOS para realizar algo; ou SUMIMOS um dia, sem ter realizado nada.
É uma questão tão velha como o próprio homem: ou FAZEMOS HISTÓRIA ou nos DEIXAMOS LEVAR por ela. Ou, somos agentes de nossas próprias transformações ou vítimas do predomínio alheio, incapazes de assumir nossa existência.
Na vida profissional vence quem luta. O mesmo vale para a vida espiritual. Torna-se urgentemente necessário assumir com coragem e definir com exatidão o horizonte de nossas opções. Não se toleram meias-medidas e objetivos inclaros. Não se deve caminhar sem saber para onde vai.
Para assumir conscientemente permanece uma alternativa: PLANEJAR. Como aquele homem do Evangelho que foi construir uma torre. Sentou-se primeiro e calculou as despesas e só depois iniciou a construção. Ele era prudente. Sabia que não se deve empreender uma obra e deixá-la pela metade. Sabia que não deve desanimar na caminhada. Mas, sabia, também que não podemos assumir mais do que as nossas nobres forças permitem. E aí está o erro de muitos. Assumir demais também não resolve. A JUSTA MEDIDA E O EQUILÍBRIO SADIO SÃO FATORES FAVORÁVEIS PARA VENCER EM QUALQUER CAMPO DA VIDA.
Quando, porém, nos decidirmos por algo, devemos ter coragem de assumi-lo. Costumamos desculpar-nos muito facilmente de nossas irresponsabilidades. Deveríamos ser mais severos conosco! A indulgência, em causa própria, pode ser até prejudicial.
Aqueles por quem ninguém chora quando morre, morrem SUMINDO, porque nunca procuraram SER. “Ter” talvez tivessem tido bastante. Mas não “eram”. Apenas “tinham”. E isto não realiza ninguém. Muito menos salva. Quem morre assim não amou. E por isso, não viveu.
Venha o que vier, suceda o que suceder: COMO CRISTO, TENHO O DEVER DE ENFRENTAR A LUTA. Entregar os pontos, sem apresentar resistência, é covardia! E esta é indigna para um cristão.
A coragem de assumir se aprende com Cristo. Procure-o e você verá.

““A CORAGEM DE ASSUMIR”

Estamos irremediavelmente jogados diante deste dilema: ou ASSUMIMOS para realizar algo; ou SUMIMOS um dia, sem ter realizado nada.
É uma questão tão velha como o próprio homem: ou FAZEMOS HISTÓRIA ou nos DEIXAMOS LEVAR por ela. Ou, somos agentes de nossas próprias transformações ou vítimas do predomínio alheio, incapazes de assumir nossa existência.
Na vida profissional vence quem luta. O mesmo vale para a vida espiritual. Torna-se urgentemente necessário assumir com coragem e definir com exatidão o horizonte de nossas opções. Não se toleram meias-medidas e objetivos inclaros. Não se deve caminhar sem saber para onde vai.
Para assumir conscientemente permanece uma alternativa: PLANEJAR. Como aquele homem do Evangelho que foi construir uma torre. Sentou-se primeiro e calculou as despesas e só depois iniciou a construção. Ele era prudente. Sabia que não se deve empreender uma obra e deixá-la pela metade. Sabia que não deve desanimar na caminhada. Mas, sabia, também que não podemos assumir mais do que as nossas nobres forças permitem. E aí está o erro de muitos. Assumir demais também não resolve. A JUSTA MEDIDA E O EQUILÍBRIO SADIO SÃO FATORES FAVORÁVEIS PARA VENCER EM QUALQUER CAMPO DA VIDA.
Quando, porém, nos decidirmos por algo, devemos ter coragem de assumi-lo. Costumamos desculpar-nos muito facilmente de nossas irresponsabilidades. Deveríamos ser mais severos conosco! A indulgência, em causa própria, pode ser até prejudicial.
Aqueles por quem ninguém chora quando morre, morrem SUMINDO, porque nunca procuraram SER. “Ter” talvez tivessem tido bastante. Mas não “eram”. Apenas “tinham”. E isto não realiza ninguém. Muito menos salva. Quem morre assim não amou. E por isso, não viveu.
Venha o que vier, suceda o que suceder: COMO CRISTO, TENHO O DEVER DE ENFRENTAR A LUTA. Entregar os pontos, sem apresentar resistência, é covardia! E esta é indigna para um cristão.
A coragem de assumir se aprende com Cristo. Procure-o e você verá.

Romaria pelo São Francisco

Romaria de apoio a frei Luiz reúne 6 mil pessoas

“Estou esperando uma manifestação do governo”, enfatizou o religioso que entra em seu 14º dia de greve de fome; jejum durou 11 dias em 2005




Uma romaria de seis mil pessoas manifestou, neste domingo (9), apoio a frei Luiz Flávio Cappio em seu protesto contra a transposição do rio São Francisco. O ato ecumênico em defesa do Velho Chico, realizado em Sobradinho (BA), reuniu comunidades tradicionais, trabalhadores ligados a organizações sociais e movimentos populares, além de pessoas ligadas à Igreja e representantes de partidos políticos.

Nesta segunda-feira (10), o religioso entra em seu 14º dia de greve de fome. O primeiro jejum de frei Cappio, em 2005, durou 11 dias e foi interrompido após um acordo negociado com o presidente Lula, que prometeu abrir um diálogo nacional sobre políticas alternativas para o Semi-Árido e o rio São Francisco. O religioso retomou a greve de fome porque o acordo não foi cumprido e que o governo decidiu começar as obras do megaprojeto com o Exército (veja reportagem).

Frei Luiz voltou a dizer que espera um fim positivo para sua manifestação. “O protesto não tem relação apenas com a minha vida, mas com a dos milhares de nordestinos que têm o rio como meio de vida”, afirmou o religioso à imprensa. “Estou esperando uma manifestação do governo”, enfatizou.

A estratégia do Planalto, no entanto, tem sido evitar o diálogo e trabalhar para silenciar o protesto de frei Luiz (leia artigo). Segundo a Folha de S. Paulo, auxiliares do presidente Lula estão preocupados com a repercussão do protesto e procuraram a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para pedir ajuda a convencer o religioso a interromper a greve de fome. Uma das sugestões era a de que o próprio presidente Lula fizesse um contato direto com o frei após a votação da emenda que prorroga a CPMF até 2011, no Senado.




Fé na união

Durante a romaria, frei Cappio permaneceu a maior parte do tempo sentado dentro da sacristia, conversando com as pessoas que vinham prestar solidariedade. “Fisicamente posso me sentir bastante combalido, mas meu espírito está forte”, afirmou, acrescentando: “Eu não coloco fé nos homens, a fé que nos move é a união que temos para continuar nossa luta”.

Representantes de organizações sociais expressaram apoio à luta do religioso. “A atitude do frei Cappio vem no sentido da revitalização da Bacia do São Francisco. Não existe revitalização com a transposição”, afirmou Tomáz Matta Machado, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). Os participantes da Romaria vaiaram o presidente estadual do PT, Marcelino Galo, que em discurso propôs atuar como interlocutor com o Planalto.

Os manifestantes seguiram, ao final do dia, para as margens da represa da hidrelétrica de Sobradinho. Camponeses, pescadores e outros levaram sementes e água. Frei Luiz também participou do ato e, de modo coletivo, fez orações para benzer água, sementes, rio e a todos os presentes. Em seguida, todos jogaram um pouco de água para o rio, como simbologia de dar um gole d’água ao São Francisco.




Exército

A celebração de encerramento foi acompanhada por militares da infantaria do Exército. Segundo a Folha de S. Paulo, soldados bloquearam a pista sobre a barragem de Sobradinho e impediram a passagem da romaria.

Um dos pedidos do frei Luiz para dar fim ao jejum, iniciado dia 27 de novembro, é a retirada imediata do Exército da área da tomada de águas dos eixos Norte e Leste, em Petrolândia e Cabrobó, Pernambuco. Segundo a Articulação São Francisco Vivo, grupos de apoio ao bispo chegaram de todo o interior da Bahia e de outros oito Estados (Alagoas, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins), além do Distrito Federal.

mais informações acesse:WWW.brasildefato.com.br

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ocupar a Universidade

POLÊMICA

O movimento de ocupações que emergiu nas instituições federais reivindica um legado que nunca deveria ter sido esquecido. Autonomia, democracia e liberdade são conceitos que ajudam na consciência de massas no Brasil, e fazem valer o princípio de universalidade do conhecimento
Vinicius Almeida, Allan Mesentier, Daniel Nunes

A sociedade espera que a universidade seja o lugar do saber, da produção de conhecimento e, conseqüentemente, um instrumento que enriqueça, desenvolva e aprimore inúmeros aspectos da vida cotidiana. Porém, em nosso país, a realidade das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) está muito distante desses marcos ideais. Nos últimos anos, elas têm se desenvolvido, cada vez mais, de forma acrítica, abandonando sua característica de pensar coletivamente a realidade. Mas isso de forma alguma quer dizer que elas não têm se transformado. Pelo contrário, desenvolvem-se e sofrem mudanças a cada dia, mas sem ciência e reflexão sobre seus rumos. É fato que existe uma imensa limitação na sua capacidade de crítica e, portanto, uma inevitável fragilidade diante de forças sociais externas a elas, como o mercado e governos.

Em outros momentos, a universidade foi condenada pela sua história de isolamento, como afirma Anísio Teixeira: “Em sua evolução, das mais lentas da história, a universidade procurou mais se isolar do que participar do tumulto dos tempos (...) O que andamos fazendo com o nosso Ensino Superior nunca representou originalidade, mas cópia ou eco dessas idéias de universidade” [1]. A bandeira da autonomia, no entanto, não afirma distanciamento, mas uma atuação reflexiva dessa instituição na realidade brasileira.

Com a proliferação de cursos pagos e fundações privadas, permitidas pelos últimos governos federais brasileiros, o patamar de cópia de modelos foi substituído pela subalternidade de seus dirigentes às regras e leis do mercado. Antes da ditadura militar, havia resistência no seio da universidade. Porém, a burocratização que tomou conta desses locais de saber no período da ditadura militar, permanece ainda hoje à frente das mesmas. Em tal situação, as IFES se apresentam muito enfraquecidas diante de quaisquer medidas provenientes dos espaços do governo.

"Fica clara a insuficiência de recursos para objetivos previstos no REUNI"
O movimento de ocupações que emergiu nas universidades federais (a exemplo da UFF, UFPR, UFRJ, UFJF, UFPE, UFC, UFRRJ, UNIRIO, UNIFESP, UFBA, UFU, dentre outras) foi impulsionado pelos estudantes em reação ao Decreto 6096/07 de 24 de abril de 2007, que prevê o “Programa de apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI”. Como é evidente nas universidades federais, há uma enorme carência de qualidade e infra-estrutura, que denominamos como “sucateamento da universidade pública”, sendo gritante na assistência estudantil, além da falta de democracia nos fóruns da universidade, ocasionada pela já mencionada burocratização dessas instituições.

O REUNI, decreto assinado pelo Governo Lula em 24 de abril de 2007, prevê uma hipotética expansão das Universidades federais mediante ampliação de verbas para as instituições que cumprirem as metas de ampliação da proporção professor-aluno para 18/1 e de 90% de aprovação de alunos. Contudo, segundo o próprio MEC, “o total de investimentos projetados para o período de 2008 a 2011 é da ordem de 2 bilhões de reais. O valor acrescido ao orçamento de custeio e pessoal de cada Universidade aumentará gradativamente, no período de cinco anos, até atingir, ao final, o montante correspondente a 20% do previsto para 2007” [2]. Esta verba está sujeita ao orçamento anual destinado pelo MEC. O orçamento de 2008 que o governo federal executou para o REUNI é de R$ 480 milhões para todas as universidades federais que aderirem ao decreto.

Considerando que as 53 IFES venham a aderir (de fato, mais de 45 IFES já aderiram), a média para cada Universidade é de, aproximadamente, R$ 9 milhões. A projeção do prédio da Moradia Universitária da UFF, por exemplo, está orçada em R$ 10 milhões e, tratando-se de um prédio que sequer supriria a carência da atual demanda de assistência estudantil, visto que são cerca de 1000 vagas numa universidade com mais de 25 mil estudantes, fica clara a insuficiência monetária do previsto, na melhor das hipóteses, pelo REUNI.

"Ficamos estarrecidos com a proposta de diminuir o número de professores por aluno"
Fora o complexo quadro das “verbas possíveis”, o que mais causou indignação nas universidades foi o condicionamento para isso. Umas das mais gritantes é o aumento para 90% a taxa de conclusão média dos graduandos de cursos presenciais. Atualmente, esse número nas IFES está em torno dos 60% (na UFF, por exemplo, o índice é de 54%). Nos países mais desenvolvidos do mundo, esse índice é de 70%, situando-se abaixo desse valor países como França, EUA, Bélgica e Itália, este último com taxa inferior ao Brasil, chegando aos 42% [3].

Além disso, ficamos estarrecidos com a proposta de diminuição do número de professores para cada aluno na graduação de 1/12, índice atual, para 1/18. Considerando que a proposta de expansão das universidades federais pretende dobrar os matriculados, isso exigiria uma extensa contratação de docentes. O que é falado, como nunca foi feito, é a garantia por parte do governo federal e das reitorias, da contratação em massa desses profissionais. Para estudantes dessas universidades, que observam no dia-a-dia, alojamentos destruídos, escassez de bolsas de pesquisa, restaurantes universitários fechados, e a falta de garantia como um todo de infra-estrutura básica onde estudam, o discurso dos reitores é uma imensa contradição com a dura realidade vivenciadas por eles.

Mesmo assim, o movimento impulsionado por estudantes (e em muitos lugares por técnico-administrativos e professores) não tem significado somente a luta por reivindicações especificas, mas também a materialização da crítica à insuficiência da organização pouco inteligente, ineficiente e verticalizada das Universidades. Esses movimentos vão além, apresentando uma crítica a estrutura das universidades, desde a sua administração, voltada para as empresas privadas, até seus espaços de decisão, pretensamente democráticos, em especial os Conselhos Universitários. São muitos novos militantes do movimento estudantil que transbordam a luta interna sendo defensores de transformações sociais profundas, cuja Universidade deveria, na opinião dele e de nós, servir a um propósito completamente diferente do existente hoje.

"Alternativas para os fóruns de decisão das universidades federais"
Na UFRJ, ocupação da reitoria foi iniciada após a aprovação do REUNI no dia 18 de outubro. Duas semanas depois, houve eleições do Diretório Central dos Estudantes, quando defensores da ocupação obtiveram quase 80% dos votos em diversas chapas e demonstraram um repúdio da universidade às atitudes da reitoria e do Conselho Universitário. Vitórias como essas ocorreram nos DCEs da UFPR e UnB, também, contando com a mesma polarização e conjuntura adversa. Além disso, são movimentos que têm enfrentado uma repressão às suas ações como há muito tempo não era visto, contando com intervenções da polícia em várias universidades, como a UFF, UFBA, UNIFESP e UFJF. O papel da direção majoritária da UNE foi lamentável diante desses fatos: além de uma defesa intransigente do REUNI, não houve nenhum apoio ou, pelo menos, respeito às mobilizações e ocupações dos estudantes nesse período. Ao contrário disso, a Frente de Luta contra a Reforma Universitária, criada há um ano, simboliza a unidade de ação dessas ocupações pelo país, articulando militantes contrários à direção majoritária da UNE, reunindo diretores da oposição de esquerda e militantes que estão fora da entidade.

Nesse momento, cresce um movimento em defesa de alternativas para os fóruns de decisão, ultrapassados, das universidades federais. Propostas como Congressos Internos, plebiscitos, paridade nas instâncias e transparência na administração das instituições, têm o intuito de construir projetos para a universidade fora dos marcos do REUNI e de suas metas incabíveis. Mais do que um novo movimento, podemos afirmar que os atores que surgem nas federais reivindicam um legado que nunca deveria ter sido esquecido. Autonomia, democracia e liberdade são conceitos que, fora do conhecimento acadêmico, ajudam na consciência de massas no Brasil, e fazem valer o princípio de universalidade do conhecimento. Para isso, as ocupações, em término por quase todo o país, iniciam uma outra, feita pelos mesmos lutadores e lutadoras, agora por toda a Universidade e sem data para terminar.
In:diplo.uol.com.br

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O que é juventude?

Juventude

Podemos considerar a juventude como uma fase (ou idade) da vida humana ou como uma categoria social.Como fase a juventude é a passagem entre a infância e a considerada vida adulta: idade que inicia na puberdade e termina de acordo com a cultura de cada tempo e lugar, por exemplo, com o casamento, com o auto-sustento, entre outros, ou que vai dos 15 aos 24 ou 29 ou 32 anos (aumenta cada vez mais na medida em que faltam postos de trabalho na sociedade).Como categoria social historicamente construída juventude é o movimento (ou onda) de cada época social determinada por como os jovens são identificados, como eles se auto-conhecem e por qual é o papel deles (desafios ou tarefas) na sociedade vigente.

1. Onde e como está (contexto)

Atualmente, conforme o censo demográfico (IBGE 2000), no Brasil temos 47,9 milhões de jovens de 15 a 29 anos e, desses, uma “minoria” de 8,6 milhões de jovens brasileiros estão no campo, sendo 4,59 milhões de homens e 4,01 milhões de mulheres. Conforme estimativa (FEE[1] 2006), no RS, temos 10,87 milhões de habitantes e, desses 2,73 milhões são jovens entre 15 e 29 anos. No campo rio-grandense há 1,64 milhões de habitantes (15% da população) e, desses, 413 mil[2]são jovens na mesma faixa de idade. Este número aumenta quando somamos a ele os “jovens urbanos” dos pequenos municípios que trabalham na roça, no campo. Os jovens que vivem no campo e do campo moram em um lugar e tem uma cultura, uma cara. Não existe apenas como uma juventude homogênea ou a juventude camponesa. Há várias juventudes camponesas: jovens descendentes de imigrantes europeus; jovens caboclos; jovens indígenas; Jovens negros; jovens que moram nos vales dos rios; jovens que moram na roça e trabalham em fábricas, entre outras. E existe o olhar do jovem e o olhar do adulto. Vamos procurar olhar como os jovens percebem.No campo (roça) a juventude está, na sua maioria, ainda marcada pela sociedade patriarcal hierárquica (pai patrão). Por isso o jovem se percebe como alguém submetido a um outro (o pai, o presidente da comunidade) e que só faz o que “alguém” manda (no máximo opina). Em casa, talvez ganhe um cantinho de terra para “brincar” de roça, além de ajudar no resto. E, quando rompe, saindo de casa, deixa de ser percebido como jovem. Sabemos que nem todas as famílias são assim.Quando é a jovem a situação fica ainda mais delicada porque não se rompeu ainda a divisão sexual do trabalho (meninas ajudam a mãe na casa e no entorno e se faltam meninos, ajuda na roça) e permanece uma relação não clara com a terra (ainda existe a idéia de que a terra, se ainda der para ser dividida, é para os homens, a mulher ou consegue pelo casamento ou vira professora, por exemplo) e as corajosas vão acampar (as vezes precisam ter um filho para criar para poderem ser cadastradas), porem, são essas que tem uma relação muito mais cuidadosa com a terra, por ter um contato muito mais direto (botar a mão na terra). Quando nos dispomos a ouvir as queixas da juventude eles afirmam, entre outras, que: não são ouvidos; estão em posição de submissão; são cobrados como adultos; são utilizados como mão-de-obra (executar o que adultos planejaram); dizem que confiam, mas ficam de longe cuidando.Neste contexto, muitos jovens saem da terra ou da casa (morada) do pai e vão tentar a vida na roça (trabalhar para outros) ou acampar (aos 18 anos) como forma de conquistar um pedaço de terra, se ali querem permanecer. Mas tendem a sair do campo e migram para a cidade, não porque querem ou a cidade é bonita, mas porque o que esta presente e é pregado pelos meios de comunicação, principalmente, é que na roça a vida é ruim, dificultosa, querem estudar, têm trabalho e não tem renda, ... e com isso, a sociedade capitalista procura tirar o jovem da roça, primeiro em busca de mão de obra e agora para esvaziar o campo: tira a escola, ... Só permanecem no campo os jovens que querem e os que ficam morando na roça e vão diariamente trabalhar na cidade.Há aqueles que querem ficar no campo, pois só se percebem como sujeitos quando estão em contato com a “mãe terra”, com a natureza, e na maioria são jovens homens. E há aqueles que não querem sair do campo, vivem e percebem a contradição entre o agronegócio e a agricultura camponesa, têm mais condições de estudo, têm participação política (participam de alguma pastoral e movimento popular), e estão dispostos, a construir um projeto popular para o campo, baseado na agroecologia e na cooperação, articulado com um projeto popular de sociedade e, entre estes, está crescendo a participação de jovens mulheres. Estes percebem o campo como lugar de vida e não como lugar do agronegócio.Atualmente, neste contexto, o jovem está sendo disputado pela sociedade de consumo, pelo capital para aderirem ao agronegócio, pelos movimentos sociais para empunharem a sua bandeira e serem lutadores do povo, pelas igrejas que querem renovar o rebanho, pela “empresa” de diversão, e assim por diante.

2. Como se organiza

Os jovens e as jovens tendem a se reunir em grupos, nem que seja para comentar o que aconteceu no final de semana passado e o que e como vão se organizar para participar do final de semana seguinte.Eles e elas participam onde de fato decidem, pois os jovens são sujeito de ação social. Precisam fazer parte de uma organização real. Não serve uma organização paralela entendida como um espaço dos jovens onde podem se reunir e prosear (uma “ala jovem”, por exemplo), mas não é um espaço onde eles podem decidir. Nem uma organização onde são tutelados por algum adulto destinado para tal tarefa. Devemos nos perguntar: Qual é de fato a relação de poder que existe nos espaços (família, escola, comunidade de igreja, no movimento popular, ...) onde a juventude camponesa participa?O grupo de jovens é um dos espaços onde de fato há participação, desde que não tutelados. A articulação, como Igreja, entre estes grupos é realizado, no campo, por uma organização criada a 25 anos atrás (em 1983) e dirigida por jovens: a Pastoral da Juventude Rural. Há grupos de jovens que apenas se articulam em nível paroquial. Há jovens que, por opção ou necessidade, fazem parte de organizações do Movimento Social Popular: estão no MST, no MPA, MMC, MAB, Movimento Sindical ou organização sindical que disponibiliza espaço a esses, movimentos da Igreja, ...

3. Desafios (que viram tarefas)

Os jovens e as jovens enfrentam os mesmos problemas do conjunto da sociedade. Por isto devemos fazer frente a problemas objetivos e subjetivos:

· Parar de culpar a juventude por problemas do conjunto da sociedade, tais como: drogas, álcool, sexualidade, consumo. Isto deve ser discutido. Não se resolve pela repressão.· Superar as visões distorcidas do jovem camponês: a visão romântica (vê o campo como sitio de lazer e o trabalho no campo como “diversão”), a visão “jeca tatu” (vê como atrasado); a visão de que não devem trabalhar (ficam vendo TV e acabam se tornando “mamíferos de luxo”).· Desmascarar a ideologia de que “a cidade é melhor que o campo” desvelando a diferença das condições de vida no campo e na cidade e desmascarando a desvalorização cultural que estigma o camponês.· Superar o autoritarismo paterno que gera submissão e não contribui na formação para a autonomia que gera protagonistas(ter ambientes de dialogo, participar das decisões, mulheres e homens tratados do mesmo jeito, decidir o que, como, quando e onde plantar, bem como o destino dos lucros).· Repensar o papel da juventude na sociedade e sua posição nas relações de sociedade: os jovens e as jovens são sujeitos que agem na sociedade; são presente.· Perceber o momento de transição (formação): passagem de sujeito parcial, pois o que ele produz é transitório e no espaço delimitado de quem produz, para sujeito político, passando a pensar a sociedade e articulado a ela o campo.· Lutar por políticas públicas para a juventude camponesa, entre elas: escola básica no campo e do campo; espaços de cultura e lazer nas comunidades camponesas ou rurais; entre outros. Transformar o campo em um lugar bom para viver.· Parar com a “marcação” sobre a juventude, a saber, com a idéia de que o jovem não é confiável e por isto deve ser vigiado e controlado (por um adulto, é claro) e de que ele se sinta obrigado a “provar algo”, o tempo todo, para o mundo adulto e as instituições, inclusive a Igreja e os Movimentos Sociais

Ampliada Nacional da PJ

De 03 a 06 de janeiro de 2008 acontecerá, em Palmas/TO, a Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude, com o objetivo de construir um plano estratégico da PJ para os próximos 05 anos, que oriente a ação pastoral nos regionais e dioceses.

Com o lema: “De pé no chão, transformando a história”, o evento também quer:

Proporcionar o encontro e a troca de experiência entre os/as participantes para a Celebração do Deus da Vida;

Compreender a realidade, em que vive a juventude e situar-se nela, pontuando os desafios;

Avançar no modelo de articulação e organização em vista da missão da PJ e da aproximação da realidade dos/as adolescentes e jovens;

Projetar sonhos para a construção de novas possibilidades e alternativas de evangelização do universo juvenil e resistência na realidade.

Como iniciar um grupo de jovem?

PREPARANDO O TERRENO

Quem se dispõe a formar e acompanhar um novo grupo de jovens precisa ter certa experiência prática e também conhecimento de algumas coisas como:
- O objetivo da Pastoral da Juventude – para que criar grupos?
- As etapas de caminhada do grupo;
- O tipo de grupo que a PJ propõe;
- E principalmente: amor e confiança na juventude; saber como convocar e reunir o pessoal e o que fazer para que o grupo se organize e se firme.
OBJETIVO

“Dinamizar a evangelização da juventude em suas diferentes realidades, tendo presente o protagonismo juvenil, a diversidade cultural e a formação integral, contribuindo para a construção da nova pessoa, igreja e sociedade, em vista do Reino de Deus”.
A FORMAÇÃO TEM QUE SER INTEGRAL

Para sermos seres humanos livres e libertadores é preciso que a formação nos ajude a desenvolver todas as dimensões de nossa vida.
Formação integral é uma formação que atenda:
- A dimensão afetiva, ajudando a pessoa;
- A dimensão social, integrando a pessoa no grupo e na comunidade;
- A dimensão espiritual, ajudando a crescer na fé;
- A dimensão política, desenvolvendo o senso crítico e ajudando a tornar-se sujeito transformador da história;
- A dimensão técnica, capacitando para a liderança, planejamento e organização participativos.
Essa formação vai acontecer através de todas as atividades e durante o tempo de caminhada, para isso juntamos a teoria e prática, reflexão e ação, reflexão da realidade à luz do Evangelho. Por isso, não aceitamos grupos que só rezam, ou que se reúnem para discutir teoria, ou só para realizar ações sem reflexão e planejamento.
CAMINHAMOS POR ETAPAS

Ninguém ser torna “novo”, comprometido com o Projeto Libertador de Jesus, de uma hora para outra. Há um processo a ser vivido e passos que precisam ser respeitados. Um grupo é como a gente: fomos planejados e chamamos à vida para o amor.
Com o grupo acontece a mesma coisa:
1. Depois que as pessoas foram convidadas, leva um tempo de “gestação” para nascer como um grupo verdadeiro. As pessoas vão se conhecendo, se integrando, descobrindo o que é grupo, sua importância, como organizá-lo e como trabalhar nele.
2. Quando o grupo está firme e organizado começa um longo caminho no qual seus participantes vão vivendo uma experiência participativa de formação até chegarem a uma opção pessoal de compromisso com o Projeto de Jesus. Essa caminhada é como um treinamento do compromisso cristão ou como um ensaio da Nova Sociedade.
3. Os jovens que realizam esta caminhada e tem uma ação comprometida por causa de sua fé, são chamados de militantes. É uma nova situação de vida, que exige novas formas de continuação de formação.
A REUNIÃO

A reunião é um momento importante e fundamental na vida do grupo. É no processo de reunião que o grupo nasce, cresce e amadurece. A reunião é como o “miolo” da fruta, na formação integral do jovem que entra no processo.
1. ACOLHIDA: é o começo da reunião. É importante que o(a) animador(a) dê atenção especial a este momento do encontro e acolhida dos membros do grupo (de maneira a criar um clima de amizade e intimidade). O local de encontro deve ser preparado antes, de modo a favorecer a comunicação, o encontro com o outro, evitando dispersão ou a distração. O(a) animador(a) deve dizer algumas palavras que sintetize o objetivo da reunião para que todos estejam por dentro do conteúdo da reunião. A acolhida inicia-se com uma recepção, oração inicial e a apresentação de novos participantes, com uma saudação, um canto alegre e apropriado para o encontro.
2. RELEMBRANDO O ENCONTRO ANTERIOR: é o momento de fazer a memória do grupo. Lembrar os pontos mais importantes que foram falados, lembrar as decisões tomadas e cobrar as atividades que foram distribuídas para serem feitas pelos membros do grupo.
3. OLHANDO A NOSSA REALIDADE: considerando que a reunião precisa partir sempre da vida concreta dos jovens, situados no bairro onde moram com suas dificuldades e alegrias, o(a) animador(a) deve estar atento para ir aos poucos trabalhando este aspecto nos participantes do grupo, “tirando a trave dos olhos” para que eles tomem consciência de sua própria realidade.
- A metodologia: o objetivo da metodologia é passar um conteúdo, uma idéia. Para isto o(a) animador(a) deve ter claro aonde se quer chegar, isto depende do conhecimento, da preparação, da execução e de sua aplicação ao tema proposto.
- Avaliação da metodologia: o seu resultado depende da avaliação do que foi feito, quando o grupo entende o conteúdo trabalhado e partilha os sentimentos vividos. Três elementos são importantes nesta avaliação: Como foi o trabalho, todos se envolveram? Como se sentiram? O que aprendemos como grupo da metodologia aplicada.
Neste momento é importante o(a) animador(a) anotar todas as respostas do grupo, apresentar uma síntese e ajudar a concluir essa parte, ligando com a seguinte.
4. CONFRONTANDO COM A VIDA DE JESUS/PALAVRA DE DEUS: a comparação bíblica, neste momento, ajuda o grupo a descobrir atitudes de Jesus diante de uma situação semelhante à vivida pelo jovem e introduz a oração que segue no final da reunião. A iluminação bíblica é necessária para que os jovens possam assumir os valores evangélicos comparando a sua vida com a de Jesus. Nem sempre é fácil a aplicação da Bíblia, uma vez que os jovens têm dela pouco conhecimento, sendo necessário ir pensando com o grupo como estudá-la mais.
5. ASSUMINDO PEQUENAS ATIVIDADES: (compromisso de vida), no início do grupo, os jovens dificilmente assumem grandes ações. É necessário um treinamento de atitudes e atividades a serem cultivadas com intensidade durante a semana seguinte. Trata-se de ver a realidade, confrontá-lo com o apelo de Jesus e assumir na sua vida de jovem uma atitude nova, cristã.
6. CELEBRANDO A VIDA-ORAÇÃO: o que foi descoberto ou experimentado torna-se agora oração. Este é um momento de reflexão, contemplação de Deus. Precisa-se evitar o vício de recitar mecanicamente o Pai Nosso e Ave-Maria. Despertar os jovens para oração pessoal e comunitária. Para isso, usar salmos, orações espontâneas, para despertar o gosto pela oração, ela precisa ser preparada com criatividade.
7. AVALIAÇÃO – REVER A REUNIÃO: avaliar tudo que foi feito durante a reunião. Esta avaliação ajuda os jovens a despertar o senso crítico e a participar com mais entusiasmo.
8. PREPARAÇÃO DO PRÓXIMO ENCONTRO: combinar com o grupo sobre o próximo encontro. O tema, as pequenas tarefas que eles já são capazes de realizar, lembrando que no início do grupo os jovens assumem bem pouco. Não cobrar muito, caso contrário eles fogem do grupo.
9. AVISOS E DESPEDIDAS.
OBSERVAÇÕES: além destes elementos, o grupo pode acrescentar outros, como po exemplo: dinâmicas, como introdução de algum tema ou brincadeira no final da reunião.
O(a) animador(a) deve estar preocupado(a) durante todo o tempo com a formação integral do jovem. Por isto, é importante despertá-lo para falar, falar de si, participar da reunião, avaliar, perceber a sua realidade, assumir pequenas tarefas, rezar. É fundamental para o crescimento no grupo que os jovens desenvolvam pequenas tarefas.

Pense Jovem!

Tudo começou com um Fanzine,depois virou o informativo da Pastoral Da Juventude da paroquia de SAnto Antonio,agora estamos na rede.A nossa intençao continua a mesma,fazer você pensar.Estaremos aqui proocando e sendo provocados,questionando e sendo questionados,pois assim e um Pesamento jovem dinamico e dialetico.
Desponibilizaremos, noticias,textos formativos,dinamicas par o seu grupo de jovem,fotos e muito mais.
Seja bem vindo ao Pense jovem...e pense,pois povo que pensa e povo livre!
 

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