segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Romaria pelo São Francisco

Romaria de apoio a frei Luiz reúne 6 mil pessoas

“Estou esperando uma manifestação do governo”, enfatizou o religioso que entra em seu 14º dia de greve de fome; jejum durou 11 dias em 2005




Uma romaria de seis mil pessoas manifestou, neste domingo (9), apoio a frei Luiz Flávio Cappio em seu protesto contra a transposição do rio São Francisco. O ato ecumênico em defesa do Velho Chico, realizado em Sobradinho (BA), reuniu comunidades tradicionais, trabalhadores ligados a organizações sociais e movimentos populares, além de pessoas ligadas à Igreja e representantes de partidos políticos.

Nesta segunda-feira (10), o religioso entra em seu 14º dia de greve de fome. O primeiro jejum de frei Cappio, em 2005, durou 11 dias e foi interrompido após um acordo negociado com o presidente Lula, que prometeu abrir um diálogo nacional sobre políticas alternativas para o Semi-Árido e o rio São Francisco. O religioso retomou a greve de fome porque o acordo não foi cumprido e que o governo decidiu começar as obras do megaprojeto com o Exército (veja reportagem).

Frei Luiz voltou a dizer que espera um fim positivo para sua manifestação. “O protesto não tem relação apenas com a minha vida, mas com a dos milhares de nordestinos que têm o rio como meio de vida”, afirmou o religioso à imprensa. “Estou esperando uma manifestação do governo”, enfatizou.

A estratégia do Planalto, no entanto, tem sido evitar o diálogo e trabalhar para silenciar o protesto de frei Luiz (leia artigo). Segundo a Folha de S. Paulo, auxiliares do presidente Lula estão preocupados com a repercussão do protesto e procuraram a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para pedir ajuda a convencer o religioso a interromper a greve de fome. Uma das sugestões era a de que o próprio presidente Lula fizesse um contato direto com o frei após a votação da emenda que prorroga a CPMF até 2011, no Senado.




Fé na união

Durante a romaria, frei Cappio permaneceu a maior parte do tempo sentado dentro da sacristia, conversando com as pessoas que vinham prestar solidariedade. “Fisicamente posso me sentir bastante combalido, mas meu espírito está forte”, afirmou, acrescentando: “Eu não coloco fé nos homens, a fé que nos move é a união que temos para continuar nossa luta”.

Representantes de organizações sociais expressaram apoio à luta do religioso. “A atitude do frei Cappio vem no sentido da revitalização da Bacia do São Francisco. Não existe revitalização com a transposição”, afirmou Tomáz Matta Machado, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). Os participantes da Romaria vaiaram o presidente estadual do PT, Marcelino Galo, que em discurso propôs atuar como interlocutor com o Planalto.

Os manifestantes seguiram, ao final do dia, para as margens da represa da hidrelétrica de Sobradinho. Camponeses, pescadores e outros levaram sementes e água. Frei Luiz também participou do ato e, de modo coletivo, fez orações para benzer água, sementes, rio e a todos os presentes. Em seguida, todos jogaram um pouco de água para o rio, como simbologia de dar um gole d’água ao São Francisco.




Exército

A celebração de encerramento foi acompanhada por militares da infantaria do Exército. Segundo a Folha de S. Paulo, soldados bloquearam a pista sobre a barragem de Sobradinho e impediram a passagem da romaria.

Um dos pedidos do frei Luiz para dar fim ao jejum, iniciado dia 27 de novembro, é a retirada imediata do Exército da área da tomada de águas dos eixos Norte e Leste, em Petrolândia e Cabrobó, Pernambuco. Segundo a Articulação São Francisco Vivo, grupos de apoio ao bispo chegaram de todo o interior da Bahia e de outros oito Estados (Alagoas, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins), além do Distrito Federal.

mais informações acesse:WWW.brasildefato.com.br

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