Hoje presenteei uma amiga com um livro cujo título era: “E o poeta chorou”, fiquei pensando por que o poeta havia chorado, como nos comportamos diante da vida, o que fazemos para mudar a realidade que nos envolve, enfim, fiquei fazendo aquelas filosofias de fim de tarde e resolvi escrever algumas linhas e compartilhar com vocês os meus devaneios vespertinos.
No poema que dá nome ao livro, o eu lírico chora diante das atitudes egoístas e injustas das pessoas, ele observa tudo, anota, pois em pretensão de fazer um poema de amor, se entristece cada vez que observa algum fato triste, injusto, desumano, pois não encontra “material” para a sua poesia. Chora, apenas chora indignado não pelo que observa, mas pela falta de material para o seu poema de amor. Que egoísta!
Esse poeta parece muito com todos nós. Quantas vezes não quisemos falar de amor, cantar à paz, a igualdade, a justiça, porém não as encontrando ficamos tristes e apenas choramos? Nada fazemos para mudar aquela realidade de ódio em uma de amor. O poeta poderia ter feito um poema falando de todas as injustiças que vivem. Mas isso seria perigoso e muito incômodo. Chorar não nos custa nada, a não ser algumas lágrimas e alguns lenços de papel e ainda nos faz parecer pessoas indignadas com o sofrimento do mundo e comovido com a dor das pessoas que nos cercam. Mas será que só chorar basta, será que essa comoção e indignação aparente e inativa servem para alguma coisa, além de gastar lenços de papel?
Diante da carência de material para compormos um poema de amor o que fazemos? Apenas choramos, ou pegamos todos os fatos cruéis e os denunciamos em forma de manifestos? Precisamos ser mais do que poetas chorões.
Diante da fala de poesia da vida, ou pelo menos da falta de inspiração para um poema de amor, não podemos ficar chorando pelos cantos como fez aquele poeta. Mas temos que pegar todas as nossas “armas” sejam elas quais forem e tornar a vida mais inspiradora, mais humana, menos injusta. E aí vão aceitar o desafio ou vão continuar chorando pelos cantos?
Marcos Moraes
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
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